terça-feira, 12 de outubro de 2010

Aniversário Isadora

Foi uma lindíssima festa e uma oportunidade para reunir a família e amigos em um local muito agradável e bonito. Todos se divertiram e brincaram muito. Grande beijo a todos!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Centenário do nascimento de Walda Cavalcante Mendes

Vovó 8

No dia 05 de outubro de 1910, nascia D. Walda Cavalcante (a qual, doravante, chamarei apenas e carinhosamente de “Vovó”), na cidade de Senador Pompeu/CE, próximo a Fortaleza, filha de Manuel Pacífico Cavalcante e Luíza de Albuquerque Limaverde Cavalcante. A foto acima foi tirada na “Photo Brasil”, em Fortaleza/CE.

Seu pai, Vovô Manuel, faleceu logo após o seu nascimento. Aos cinco anos de idade, Vovó perdia também sua mãe, passando a morar com seus tios José de Castro Filgueiras e Belalinda Albuquerque Limaverde Filgueiras, que a adotaram como filha. Conta D. Olga (minha querida e não menos preciosa mãe), filha mais velha de Vovó, que “Tia Belalinda era a pessoa mais bondosa que já conheci na vida. Com certeza foi direto para o céu”. Isso, em parte, explica a delicadeza e a paciência características de Vovó. O casal Tio José e Tia Belalinda, pertenciam à aristocracia cearense. Com efeito, Vovó tornou-se irmã de criação e grande amiga do seu primo Aristóbulo de Castro Filgueiras (que, por razões óbvias, mamãe passou a tratar por “Tio Aristóbulo”), que era bem mais velho que Vovó e por quem ela nutriu um grande carinho e imensa admiração até o fim de sua vida. Alguns anos mais tarde, um dos filhos de Vovó, Tio Assis, moraria por algum tempo em Fortaleza, na casa de Tio Aristóbulo, para estudar e trabalhar.

Tio Aristóbulo e seus pais admiraram-se tremendamente quando, em uma certa ocasião (uma viagem de navio no litoral cearense), logo após sua chegada, Vovó, ainda com cinco anos, tocou uma pequena peça (nada menos que o Hino Nacional Brasileiro) em um piano de brinquedo , de poucas teclas. Imediatamente, Vovó passou a ter aulas de piano e ballet, sem deixar de lado seus estudos regulares. Vovó pôde então, ao longo dos anos seguintes, desenvolver e aprimorar seus dotes artísticos. Ao lado de seus pais adotivos, Vovó costumava freqüentar o Teatro José de Alencar em Fortaleza, onde assistia e se encantava com peças, óperas e ballet.

Por volta de 1924, Tio Aristóbulo era Diretor Geral da Agricultura do Estado do Ceará e recebeu a missão de realizar um trabalho temporário na cidade de Sobral/CE, para onde foi com a esposa passar uma temporada. Vovó, então com 13 anos, acompanhou o casal. Foi nesta época que Vovó conheceu Bias de Aragão Mendes (Vovô), um jovem garboso, filho do Coronel da Guarda Nacional, político eminente e grande produtor rural Antonio Enéas Pereira Mendes (Foi Chefe do Partido Rabelista em Sobral, tendo recusado a nomeação para o cargo de Juiz Federal, para não perder a sua independência, por força de um cargo político, segundo informa o Mons. Vicente Martins, em “Homens e Vultos de Sobral” (1)), casado com D. Regina Sabóia de Aragão Mendes (Regina Sabóia Ximenes de Aragão, nome de solteira), famílias tradicionalíssimas na região.

Vovô 1

No dia 21 de março de 1925, Bias e Walda casaram-se. Ele com 24 anos e ela com apenas 14 anos de idade, tendo como residência, inicialmente, a “Casa Grande”, na chácara “Estreito” (uma referência à curta distância entre as margens do Rio Acaraú, na parte que passa a cerca de cento e vinte metros da “Casa Grande”). Mais tarde, Vovô moraria com Vovó e os dois filhos mais velhos (Olga e Assis) em uma fazenda doada a ele por Vovô Enéas, alternando com a residência em Sobral, que ficava numa das ruas do lado esquerdo da Igreja São Francisco. A casa da zona rural ficava a cerca de trezentos metros da “Casa Grande” e recebeu a alcunha de “Jacaúna” (que era o nome da fazenda), de quem Tio Assis e mamãe guardaram boas e não tão boas lembranças. Outros irmãos de Vovô possuíam propriedades que também receberam alguma alcunha. A casa de Tio Antônio Enéas era “Eneápolis”, enquanto a de Tio Amarú era “Barraca”.

Sua primeira filha, Olga Maria Cavalcante Mendes (nome de solteira de mamãe), nasceu em 09 de agosto de 1927 (Sobral), dois anos e meio, portanto, após o casamento. Vovó continuou seus estudos, sempre se aprimorando nas artes (piano e ballet).

Victor de Paula Pessoa, casado com Tia Marieta (Maria de Aragão Mendes), era representante comercial em Mossoró/RN. Através e a convite dele, seguiram para aquela cidade os irmãos Tio Humberto (Humberto de Aragão Mendes) e Tio Cornélio (Manoel Cornélio de Aragão Mendes), que no dia 13 de junho 1927, estava entrincheirado no Prédio do Telégrafo com um rifle na mão, à espera de Lampião, que prometera invadir Mossoró. Lampião foi rechaçado no mesmo dia e os defensores da cidade são tratados como heróis até hoje. Em seguida, Tio Amarú (Amarú de Aragão Mendes) e Vovô, na tentativa de se estabelecerem na região. Lá nasceu Tio Assis (Francisco de Assis Cavalcante Mendes), em 18 de maio de 1928. Ainda nessa época, Vovó começa a dar aulas de piano e ballet. Dos irmãos, apenas Tio Humberto obteve realmente sucesso financeiro e Vovô não permaneceu por lá, retornando para Sobral.

Segundo Tio Assis, minha Bisavó Regina não queria que Vovô saísse de Sobral e acabou convencendo Bisavô Enéas a doar uma parte da terra a Vovô. Essa terra passaria a se chamar Jacaúna (chefe da tribo dos Potiguaras do romance Iracema de José de Alencar).

Durante o tempo que permaneceu em Sobral, além da música, também ficaram registrados nos anais sobralenses, as contribuições de Vovó ao estímulo e ao desenvolvimento de outra arte naquela terra: o ballet. Como dançarina não teve muita oportunidade, até mesmo pela pouca idade com a qual contraiu matrimônio. Mas como estudiosa, pesquisadora, coreógrafa e professora foi notável.

Foram três as peças de ballet montadas (cenário, coreografia, iluminação, direção) por Vovó em Sobral: “A Dança das Horas” (trecho da ópera “La Gioconda” de Amilcare Ponchielli), “As Gueixas” e “O Guarani” (Carlos Gomes). Todas no teatro São João, o qual foi inaugurado no dia 26 de setembro de 1880. Esses espetáculos viriam a ser novamente montadas em outras das diversas cidades nas quais Vovó morou ao longo de sua vida.

Por volta de 1935, por motivo de saúde, Vovô e a família seguiu para Fortaleza, onde contavam com o apoio de Tio Aristóbulo. Apesar de toda dificuldade com os filhos pequenos e as constantes mudanças, Vovó nunca deixou de estudar piano e de se aprimorar e divulgar a arte do ballet.

Foi então que, através de um concurso, Vovó ingressou em sua carreira pública como Agente de Saúde Pública. Baturité foi a cidade que lhe foi delegada. Foi aí que mamãe e Tio Assis iniciaram seus estudos. Na véspera do Natal de 1936, nasceu Tia Walbia (Walbia Cavalcante Mendes), em 10 de dezembro de 1936. Pouco tempo depois (cerca de um ano), por conta do mesmo trabalho, o casal segue para Crateús/CE. O Juiz de Direito local, Dr. Olavo Frota, era irmão de Tia Gilda (esposa de Tio Antonio Enéas) e dono de um dos dois únicos pianos existentes por lá. Vovó continuava divulgando a música e a dança por onde passava. Eram então novos alunos de piano e ballet, graças ao apoio que recebeu do Dr. Olavo. A essa altura, Mamãe seguiu pra Sobral, onde moraria com Tia Fransquinha (Francisca de Aragão Mendes Frota), para seguir seus estudos. Nessa época, estudou no Colégio Santana, até a conclusão do primário. Tio Assis, seguiu para Fortaleza, onde moraria com Tio Aristóbulo por algum tempo, para depois “ganhar o mundo” em busca de seu futuro. Foi em Crateús que nasceram Tia Leda (Leda Cavalcante Mendes, 1939) e Tio Francisco (Francisco Cavalcante Mendes, 1942). Eventualmente Vovô e Vovó iam a Sobral (as cidades de Sobral e Crateús eram ligadas por ferrovia desde 1925).

Mamãe lembra que aos domingos, após a missa, a família se reunia na casa de Tia Fransquinha, esposa de Tio Potiguara (Francisco Potiguara da Frota), o qual era irmão de Dom José Tupinambá da Frota, primeiro Bispo de Sobral. Após o desjejum, Dom José pedia para que mamãe, que era dona de uma voz suave e muito afinada, cantasse, acompanhada por Vovó ao piano, ao que era pronta e prazerosamente atendido, para o deleite dos presentes. Aliás, esse é um atributo que mamãe conserva até hoje, do alto dos seus 82 anos.

Aluna 5

Após a Segunda Grande Guerra, o Exército Americano leiloou todo o material bélico que integrava sua base em Natal. Tio Humberto, com sua visão comercial e contando com o apoio de comerciantes de Mossoró, adquiriu todo esse material, firmando-se de vez como um comerciante de sucesso por lá. E foi com o apoio dele que Vovô retornou a Mossoró, após uma breve temporada em Aracati (ainda por conta do trabalho de Vovó), tornando-se também comerciante. Vovó abandonou definitivamente sua carreira pública no estado do Ceará, passando a dedicar-se inteiramente a música e a dança. Conta Tio Francisco, que, tempos depois, Vovó teve a oportunidade de se aposentar da carreira pública, mas ela recusou-se a receber aposentadoria, por não julgar correto receber dinheiro sem produzir, ainda que fosse seu direito. Assim era seu pensamento.

Em Mossoró, Vovó ensaia suas primeiras peças de ballet com suas alunas, não deixando de dar suas aulas de piano. O “Bolero de Ravel” e “O Lago dos Cisnes” eram duas de suas peças preferidas.

Vovó 4

Foi em Mossoró que casaram-se Mamãe (passando a chamar-se Olga Maria Mendes Leão), com o então recém formado Dr. José Arset Leão de Moura, o qual se tornaria um renomado cardiologista da região, fato este reconhecido pelas diversas homenagens que recebeu após sua morte (nome de rua e postos de saúde, por exemplo) e Tia Leda (Leda Mendes Fernandes), com José Fernandes Vidal, ex-seminarista, filho de uma tradicional família mossoroense. Tio Zé Vidal, a propósito, era um estudioso da música clássica, grande e perfeccionista pianista, viria, mais tarde, a formar parceria com Vovó na composição do atual Hino de Mossoró. A música e a letra são de autoria de Tio Zé Vidal e Vovó contribuiu com o ritmo apropriado ao tipo de composição, segundo mamãe. Tio Assis casou-se no Rio Grande do Sul com Tia Ilka. O casamento durou pouco tempo e ele logo retornou ao Nordeste. Algum tempo depois (1953), em Teresina/PI, Tio Assis conheceu e casou-se pela segunda vez com Tia Leila (Leila Guimarães Mendes). De lá, eles foram para Campina Grande/PB, já com as duas filhas mais velhas (Leisinha e Liana) e se estabeleceram. A casa que era de Vovô, que depois pertenceu a Tio Zé Vidal e Tia Leda, onde Vovó recebia suas alunas de piano e ballet nesta época e quando retornaram pela terceira vez a Mossoró, não existe mais.

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Ao longo dos quinze anos, aproximadamente, que permaneceu em Mossoró, Vovó compôs suas primeiras peças no piano e montou algumas peças apresentadas em escolas de lá. Uma de suas alunas, Elba Núbia, que foi primeira bailarina do Teatro Municipal de Natal, costumava homenagear Vovó em apresentações que fazia com suas alunas em Natal/RN, incluindo a que fez em Mossoró, em sua presença.

No início dos anos 60 e por influência de Tio Assis, Vovô resolve ir para Campina Grande/PB. Tio Francisco conheceu e casou-se com Tia Lúcia (Lúcia Braga Lira Mendes), filha de Seu Casé (José Braga de Lira), grande comerciante da região. Tia Walbia casou-se com Herotides. Vovó continuava com as sua aulas de piano e dança e algumas de suas alunas fizeram questão de eternizar sua gratidão a ela, entre elas, Ignez que era filha do prefeito de Campina Grande na época e Zilma Arruda, falecida recentemente (fotos).

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Algumas de suas netas chegaram a ter aulas de ballet. Liana (Liana Guimarães Mendes), a segunda filha de Tio Assis e Tia Leila, tinha aula com o Professor Aldair Palmas, no Campinense Clube de Campina Grande, com Vovó ao piano. Lanusa (Lanusa Guimarães Mendes), sua irmã e em sua companhia, ainda estudou ballet no DECA - Departamento Cultural e Artístico do Recife/PE, mas não seguiu carreira. A que mais se destacou foi Liana, que seguiu carreira e possui formação artística através da Escola de Dança do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Academia de Ballet Tatiana Leskova, Academia de Ballet Eugenia Feodorova, Joffrey Ballet School (New York), Studio de Dança Ruth Rosembaum, entre muitas outras. Também foram incontáveis apresentações, congressos e uma vida toda dedicada a dança. Conta Liana que durante o "9º Seminário de Professores de Ballet" em Michigan (EUA), teve aulas com Mikhail Lavrovsky (primeiro bailarino do Bolshoi). Ao final, foi escolhida para apresentar "A Morte do Cisne" para um pequeno e seletíssimo público, entre os quais o próprio Mikhail. Nas suas palavras: Vovó foi minha mentora artística espiritual, através de quem eu aprendi a amar a dança. Ela foi minha grande referência. Na foto, um trecho do ballet “Quebra Nozes”, com o Corpo de Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

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Após a trágica morte de Tia Walbia em 1966, o casal adotou o seu filho mais novo, José (José Isidro Pereira Neto). Jaqueline (Jaqueline Mendes França), sua irmã, é adotada por Tio Zé Vidal e Tia Leda.

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Algum tempo depois, Vovó retorna à Mossoró, onde retoma seu trabalho com novas alunas e alunos. Foi um período de muita criatividade e de muito trabalho. Vovó era professora de ballet no Colégio Sagrado Coração de Maria. Vieram novas composições, incluindo marchinhas de carnaval e novas montagens de ballet em escolas, clubes e eventos. Algumas de suas alunas foram: Zildete, Maritza Rodrigues, Regina Mendes, Isaura Rosado, Flávia Rosado, Lúcia Escócia, Sandra Rosado, Gláucia Rosado, entre tantas outras. No SESI, Vovó montou o ballet “O Lago dos Cisnes” (Piotr Ilitch Tchaikovsky) em quatro atos e o “Ballet de Fausto” (ato final da Ópera “Fausto” de Charles F. Gounod). O reconhecimento de seu belíssimo trabalho dedicado as artes vinha das mais diversas formas. Em certa ocasião, Tatiana Leskova, bailarina francesa de origem russa, naturalizada brasileira, que esteve à frente do Ballet do Teatro Municipal do Rio de Janeiro por catorze anos (1950 a 1964), levou seu “Ballet Societ” para uma apresentação em Mossoró. Após o espetáculo, o qual Vovó assistiu na primeira fila, ela fez questão de convidá-la para ir ao palco e agradeceu, diante de toda a platéia, pelo seu grande trabalho cultural na cidade, principalmente na formação de grandes dançarinas de ballet.

Na data comemorativa de 30 de setembro (libertação dos escravos em Mossoró), Vovó sempre organizava o desfile das alunas do Colégio Sagrado Coração de Maria (como “O Desfile das Bonecas”, no qual estavam representados diversos países). Montou diversas peças de teatro, com recursos escassos e muita criatividade. Duas delas foram: “As Máscaras” e “Jesus”, ambas de Menotti del Picchia (1919 e 1958, respectivamente) e “O Guarani” (José de Alencar). Em uma peça montada no palco do Caiçara, Vovó utilizou um recurso que revela toda sua criatividade. Ela queria uma certa iluminação colorida no palco. Como a luz colorida não era disponível, ela utilizou o papel celofane para produzir o efeito desejado.

Também foi nessa época que a parceria do hino com Tio Zé Vidal aconteceu.

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Em 1974, Vovó deixa Mossoró pela última vez e vai morar, para nossa alegria, em nossa casa em Fortaleza/CE, para onde havíamos nos mudado em 1968. Foi o período em que tive o maior convívio com eles. Foi lá que Vovô e Vovó comemoraram suas Bodas de Ouro, em 21 de março de 1975, o que para nós foi um grande privilégio e um presente de Deus.

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Em 1976 nos mudamos para Recife/PE e esse foi o último endereço do casal. O piano que aparece na foto acima (parte dele), está hoje na casa de meu irmão mais velho e primogênito, José Wilson. Na última vez que estive em sua casa, cheguei a sentar e dedilhar em suas teclas (nunca aprendi a tocar nenhum instrumento, infelizmente) e me vieram várias lembranças.

Me lembro, desde muito cedo, que Vovó rezava um terço diariamente, por volta das seis horas da tarde, geralmente sentada numa rede balançando-a com os pés. Me lembro de um macarrão que ela fazia, temperado com um molho feito à base de nata e colorau, que eu simplesmente não entendia como podia ser tão bom. Sempre tentei imitá-lo, mas nunca tive o mesmo resultado. Me lembro de suas gargalhadas sem nenhum som, mas que faziam lágrimas escorrerem pelos cantos dos seus olhos. Me lembro de seu jeito doce e humilde, de suas atitudes sempre conciliadoras e de sua elegância. Me lembro da admiração, do respeito, do amor e do carinho que seus filhos tinham para com ela e dela para com sua família. Me lembro de uma mulher de estatura mediana, de um coração enorme (apesar de frágil) e de uma fibra e determinação invejáveis.

Não me lembro de vê-la queixar-se pelas coisas que a vida lhe negou, nem pelas tristezas que atravessaram seu caminho. Não me lembro de vê-la dirigir-se a alguém de forma agressiva. Não me lembro de Vovó perder a paciência com Vovô, por mais rabugento ou inconveniente que ele fosse naquele momento.

Vovó 7

Vovó tinha uma aparência frágil e delicada, que escondia uma mulher determinada e uma batalhadora incansável. Muito paciente e religiosa, colocava sempre a fé à frente de todas as suas atividades. Com uma bagagem cultural invejável, disseminou a arte por todos os lugares por onde passou, e não foram poucos, deixando atrás de si um rastro de nobreza, de valores, de graça, de beleza e de amor. Mossoró, entretanto, teve o privilégio de tê-la por mais tempo e de usufruir da maior parte dos seus frutos. Era, como toda mulher, vaidosa e, ao mesmo tempo, pura simplicidade. Não há quem não se refira a ela com carinho e ternura. Não há quem não tenha mudado para melhor após conhecê-la e com ela conviver (2).

Vovó 1 No dia 25 de novembro de 1980, após exatos cinqüenta e cinco anos, oito meses e quatro dias de união, Vovô a deixou e nos deixou. Vovó viveu seus últimos anos em companhia de Tio Assis. Apesar de sua força interior, ela tinha uma saúde e um coração frágil. A morte de Vovô a debilitou muito. Em seus últimos dias, já não podia deitar-se para dormir. Era obrigada a fazê-lo sentada, com todo o conforto, claro, que isso pudesse ser feito.

Vovó 9

Por umas dessas desagradáveis coincidências que o destino nos prepara, Vovó deixou essa existência exatamente no dia do aniversário de Tio Assis, dia 18 de maio de 1987. Partiu de maneira suave, tal como se encerra um ato de ballet. As cortinas se fecham, as luzes se ascendem e tudo o que resta são as lembranças emocionadas de um belo espetáculo e a alegria de ter feito parte de tudo isso.

Com toda a admiração de seu neto Bias.

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(1) Trecho retirado da publicação “Ascendência do Coronel da Guarda Nacional Antônio Enéas Pereira Mendes” no endereço “familiamendesdevasconcelos.blogspot.com” de autoria de Desembargador Ademar Mendes Bezerra.

(2) Todos aqueles que a conheceram e possuem informações ou imagens que gostariam que fossem acrescentadas nesta homenagem, por favor entrem em contato através do e-mail leaobias@gmail.com ou comentem e passem o meio telefone ou endereço eletrônico) para que eu entre em contato.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Imagem da RECONSTRUÇÃO que ficou faltando

A Casa Grande

A Casa Grande foi sede da Chácara Estreito de propriedade do Cel. Antonio Enéas Pereira Mendes e de D. Regina Sabóia Ximenes de Aragão. Era uma construção imponente, com pé direito de 4 metros, paredes externas com largura superior a 60 centímetros, janelas grandes que abriam para fora e, por dentro, eram protegidas por portas altas com tramelas, portas externas duplas com sistema semelhante às janelas e entradas para o porão em lugares estratégicos. Na foto a seguir, a neta D. Olga em companhia de sua nora Iolanda e de seus netos Victor e Arthur, na parte frontal da construção, no local onde havia uma área e onde foi tirada a foto das bodas de ouro do casal, em 1932. D. Olga e seu irmão Assis, conheceram e viveram boa parte de sua infância nesta chácara (nas férias, principalmente, entre os anos 30 e 40). D. Olga diz que D. Regina era carrancuda e de pouca conversa (principalmente com as crianças). Já seu avô era muitíssimo gentil e carinhoso. Tio Assis (já falecido) contava que ele o tratava por Capitão Assis e que gostava de lhe atribuir pequenas tarefas, que ele fazia com muito gosto.

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Na frente e na lateral esquerda, havia uma área onde, segundo D. Olga, o Cel. Antonio Enéas costumava armar sua rede. Abaixo das janelas, havia um batente onde as pessoas sentavam-se para conversar (veja na foto acima). A entrada era no lado esquerdo da casa, onde havia uma pequena escada (foto abaixo). Nesta pequena sala, havia “algumas poltronas, um espelho e uma cristaleira muito bonita” – diz D. Olga.

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Nesta sala, havia três janelas e três portas (uma delas a de entrada), o que lhe garantia um ambiente claro e arejado. Uma das portas levava ao quarto do casal, o qual era interligado com outro quarto mais ao fundo. Conta-se que ali havia uma entrada para o porão. Na foto aparecem os possíveis cortes para tal. Entretanto, nada restou do piso original ou mesmo do porão (aparentemente soterrado).

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A outra porta leva à sala de jantar, onde havia uma grande mesa, quadros e uma Santa no canto esquerdo de quem entrava. Entre as janelas, armadores. Ao fundo ficava a despensa, à direita, quatro janelas e à esquerda, três portas que levavam, pela ordem, a um salão, a um quarto e à cozinha. O salão (na visão da criança Olga) era enorme e possuía um candelabro. Havia um acesso direto do quarto do casal para o salão. A iluminação era a carbureto, velas e lamparinas. O quarto também era interligado a um outro ao fundo. A cozinha era ligada à despensa, a outros cômodos à direita e possuía janelas que davam para o fundo da casa.

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A entrada do porão, ficava embaixo da cozinha, no fundo da casa. O porão se estendia até à frente da casa, sob todo o corpo descrito até agora. Segundo Tio Assis, em volta da casa, nas paredes do porão, haviam seteiras para, eventualmente, se fazer a defesa da casa. Nota-se, em toda a construção, as características militares próprias das antigas fortificações.

A cobertura foi feita de telhas grande e de tamanhos irregulares (na foto acima se vê algumas encostadas na parede), provavelmente feitas “nas coxas” como se diz. A sustentação foi feita com bambús entrelaçados, sustentados por troncos de carnaubeiras. Os tijolos também eram grandes e devem ter sido feitos ali mesmo (foto abaixo).

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Havia comunicação praticamente entre todos os cômodos da casa. Na lateral esquerda, ficavam os quartos dos empregados, que dava diretamente para o pasto. Contam que ele jamais possuiu escravos, por ser contra essa prática. Havia, inclusive, uma senhora que D. Olga chama de “mãe preta”, que foi ama de leite de alguns dos filhos do casal.

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Do banheiro, que ficava na parte externa da casa, sobraram apenas ruinas. Era dividido em duas partes: uma para o banho e outra para outras necessidades. Havia um sistema de distribuição de água (cozinha e banheiro) que não consegui identificar. No fundo do benheiro ficava um enorme bebedouro (ou reservatório de água), do qual só existem vestígios. A escada que dava acesso à área também está em ruinas, conforme fotos a seguir.

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A construção, no geral, é imponente, embora esteja em semi-ruínas. Nesta visita, me deu a impressão de que estava sendo desmanchada. Não sei quem são (não houve tempo para apurar) seus atuais proprietários. Em conversa com o primo Ademar de Fortaleza, ele me informou que pretendia adquirir o imóvel. Tomara que o tenha feito.

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Apenas a título de curiosidade e utilizando um programa gratuito, reconstruí a Casa Grande, para termos uma idéia de como seria na época e o resultado está na imagem a seguir.Reconstruçãoestreito

Aqueles que se interessarem, poderei enviar detalhes da construção e outras informações. De toda forma, acho que valeria a pena o nosso empenho no sentido de salvarmos esse patrimônio que, além de ser histórico no sentido geral, é uma parte da nossa história, em particular.

Aguardo os comentários.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fogão Campeão!!


Enquanto Flamengo, Vasco e Fluminense faziam grandes contratações com salários astronômicos comparados às suas realidades, para a disputa do Campeonato Carioca (que alguns flamenguistas HOJE dizem não valer nada!) e outros torneios, levando suas dívidas aos limites do espaço sideral, o Botafogo fazia contratações responsáveis, dentro de seu orçamento, estruturava suas equipes de base e investia em outros esportes e trocava de técnico, ainda na terceira partida, após uma sonora e inesquecível goleada de 6 x 0 para o Vasco.
Hoje o Botafogo chega ao título carioca, com a melhor média de público (ainda que tenha sido uma média pequena), com seus salários e prêmios em dia, com um elenco limitado, mas de muito brio e raça e com excelentes perspectivas para o restante da temporada.
Maracanã fecha e o Engenhão, finalmente, vai gerar a tão esperada receita. Um grande patrocínio está a caminho. Expectativa de ótimos reforços (quem não quer jogar no Campeão Carioca?) e a permanência dos que lá estão.
Enquanto isso, Vasco e Fluminense se esforçam para chegar as finais da Copa do Brasil (o Santos tá nela. Alguma chance?) e o Flamengo tenta se manter vivo na Libertadores quarta-feira. Se essas coisas não acontecerem, teremos grandes reviravoltas no futebol do Rio.
E nós, botafoguenses, queremos e comemorar. Por que pra nós, o Título vale muito!!!
Parabéns Botafoguenses de todo o Brasil!!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher

"A mulher foi feita da costela do homem, não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual, debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada." (Maomé)

D. Olga, ao longo dos seus oitenta e três anos, construiu uma história digna dos mais célebres romances, dos quais ela tanto gosta. Sua estrada foi cheia de bifurcações e nós, seus filhos, somos uma delas. Um exemplo puro de amor, dedicação e determinação, capaz de contagiar as gerações seguintes. Mãe, aceite meu imeso carinho e admiração. Através de você, presto minha homenagem a todas as mulheres de nossa família.

Neste dia de homenagem às mulheres (como se todas as homenagens lhes pudessem ser prestadas em um único dia ou como se as merecessem apenas nesse dia), quero me reportar as mulheres de minha família, em especial. São batalhadoras, mas sabem se divertir; belas, encantadoras, delicadas, mas também são bravas, enérgicas e de raça; gentís e carinhosas, mas também são tenazes e exigentes; conhecem o limite da dor, do sofrimento, da angústia, mas são alegres e encantadoras sem limites. Altas e baixas, morenas e brancas, novas e velhas, magrinhas e gordinhas, tenho muito orgulho e uma imensa alegrias de conviver com cada uma de vocês. Um beijo no coração de cada uma de vocês!!!!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Bicampeão da Taça Guanabara

Além de Bicampeão da Taça Guanabara, este será o quinto ano seguido em que faremos a final do campeonato carioca. Nenhum clube do Rio fez isto ao longo de suas histórias. Talvez o Andrade agora entenda que "times menores" não são identificados por um momento em um campeonato, mas por uma história construída ao longo do tempo. Talvez ele entenda que no futebol inglês dificilmente surgirá um Caio, Dedé, Wellington Jr., Herrera e tantos outros júniores que estão despontando no Fogão. Mas pedir para ele entender isto é pedir demais né não? Afinal, não precisa ser muito inteligente para ser Frameango...hehehehe
E ninguém cala, esse nosso amor e é por isso que eu canto assim, é por tí Fogo!!!!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A falência da educação escolar brasileira!

Uma frase conhecida diz: "Se você não sabe como educar seu filho, eduque-o como você foi educado. Pelo menos você sabe no que vai dar". Isso, face a educação proposta nas escolas, em particular as públicas, nas quais se implantam os mais mirabolantes projetos, chega quase a ser um bom conselho.
A escola, de um modo geral, não orienta, não educa, não forma, enfim, não serve para praticamente nada. A não ser para sustentar um batalhão técnicos e professores desestimulados e/ou mal preparados, descompromissados, esperando a aposentadoria chegar.
É nesse contexto que as universidades e faculdades, cujas privadas brotam e crescem como praga, recebem seus alunos e a missão adicional de consertar os estragos pedagógicos das séries anteriores, quando o fazem.
Por traz deste conjunto de coisas, está um sistema econômico cruel e desumano que valoriza o técnico (ação) em detrimento do graduado (pensamento), resultando em uma redução do custo de mão-de-obra para as empresas. Gente que pensa, questiona e protesta, não interessa.
E a consequencia de tudo isso? Esse "ganho" nas empresas se reflete em "perda" para todos nós. Uma espécie de transferência automática do bem público para a privada (iniciativa), via ações curativas na saúde, repressoras na segurança, entre outras.
O vídeo a seguir da uma pequena dimensão do alcance dessa irresponsabilidade educacional.

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Você discorda? Concorda? Dê sua opinião.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Fim de Ano no Rio. Pense...!!!

Foi um final de ano sensacional. Quase toda a família reunida na casa de Paulinha e André. Quem faltou foi José, Dina, Família Jana, Riri, família Iguim e Ramires. Pense numa bangunça! Gente dormindo em tudo quanto era canto. Festa todo dia, o dia todo. Bom, vocês poderão conferir aqui neste vídeo. Grande beijo a todos!

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